No segundo setênio (de 7 a 14 anos), a criança passa a ter
todas as suas forças dirigidas ao seu desenvolvimento anímico. Emancipando-se da
vida puramente corporal, as energias infantis reaparecem metamorfoseadas em boa
memória, imaginação, prazer em repetições rítmicas e freqüentemente em desejo de
conhecer imagens de caráter universal capazes de estimular a fantasia.
O pensamento da criança dessa fase é nascido mais das energias
do coração do que da cabeça; é um sentimento que pensa. Este pensar é, portanto,
ainda muito diferente do pensar analítico e especulativo do adulto.
A grande força para aprender, nesse momento, é a capacidade de
vivenciar imagens interiores intensamente. Essas imagens falam ao mundo dos
sentimentos das crianças e é por intermédio delas que a criança se liga aos
conteúdos apresentados.
Por volta dos nove anos, no entanto, a criança vivencia uma
distância entre ela e os adultos, entre ela e o mundo e isto lhe causa
insegurança. Começa então, inconscientemente, a questionar a autoridade a que
antes se entregou e busca justificar sua admiração e veneração para readquirir
segurança.
Por volta dos dez / doze anos, o corpo da criança começa a
perder as características da infância: predomina o crescimento dos membros e o
desenvolvimento do sistema muscular se torna mais importante. Inicia-se, aí, o
período em que ela inclina-se à crítica e surge uma nova capacidade de
raciocinar. Só agora, por volta de doze anos, a criança é capaz de compreender
as relações causa-efeito, ou seja, entende e busca legitimamente as leis que
regem os fenômenos. Ainda nesse período, toma suas próprias vivências como
referência para compreensão deles; só mais tarde terá a capacidade de olhá-los
de forma isolada, ou seja, do ponto de vista exclusivamente intelectual. Nas
relações sociais, as crianças dessa fase tendem a ser camaradas e justas com os
colegas, levados por sentimentos morais e honradez. Tudo nessa fase, inclusive
as travessuras, têm seu encanto.
No final desse setênio, entre doze e catorze anos, começa o
complexo de sintomas da puberdade. Os processos de transformação dentro do corpo
do púbere perturbam a harmonia de sua vida anímica. Surge o desequilíbrio e
antipatia aos valores tradicionais até então aceitos. A reflexão intensa sobre
tudo o que até agora estava estabelecido causa uma grande inatividade - "
preguiça"; por outro lado, todos os processos corpóreos exigem muita atividade
física.
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