quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Segundo setênio.

No segundo setênio (de 7 a 14 anos), a criança passa a ter todas as suas forças dirigidas ao seu desenvolvimento anímico. Emancipando-se da vida puramente corporal, as energias infantis reaparecem metamorfoseadas em boa memória, imaginação, prazer em repetições rítmicas e freqüentemente em desejo de conhecer imagens de caráter universal capazes de estimular a fantasia.

O pensamento da criança dessa fase é nascido mais das energias do coração do que da cabeça; é um sentimento que pensa. Este pensar é, portanto, ainda muito diferente do pensar analítico e especulativo do adulto.

A grande força para aprender, nesse momento, é a capacidade de vivenciar imagens interiores intensamente. Essas imagens falam ao mundo dos sentimentos das crianças e é por intermédio delas que a criança se liga aos conteúdos apresentados.

Por volta dos nove anos, no entanto, a criança vivencia uma distância entre ela e os adultos, entre ela e o mundo e isto lhe causa insegurança. Começa então, inconscientemente, a questionar a autoridade a que antes se entregou e busca justificar sua admiração e veneração para readquirir segurança.

Por volta dos dez / doze anos, o corpo da criança começa a perder as características da infância: predomina o crescimento dos membros e o desenvolvimento do sistema muscular se torna mais importante. Inicia-se, aí, o período em que ela inclina-se à crítica e surge uma nova capacidade de raciocinar. Só agora, por volta de doze anos, a criança é capaz de compreender as relações causa-efeito, ou seja, entende e busca legitimamente as leis que regem os fenômenos. Ainda nesse período, toma suas próprias vivências como referência para compreensão deles; só mais tarde terá a capacidade de olhá-los de forma isolada, ou seja, do ponto de vista exclusivamente intelectual. Nas relações sociais, as crianças dessa fase tendem a ser camaradas e justas com os colegas, levados por sentimentos morais e honradez. Tudo nessa fase, inclusive as travessuras, têm seu encanto.

No final desse setênio, entre doze e catorze anos, começa o complexo de sintomas da puberdade. Os processos de transformação dentro do corpo do púbere perturbam a harmonia de sua vida anímica. Surge o desequilíbrio e antipatia aos valores tradicionais até então aceitos. A reflexão intensa sobre tudo o que até agora estava estabelecido causa uma grande inatividade - " preguiça"; por outro lado, todos os processos corpóreos exigem muita atividade física.
 

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