domingo, 1 de dezembro de 2013

Como se formou a Rosa-de-Natal - 2ª semana do Advento


           Era noite de natal. O menino Jesus dormia deitado na palha da manjedoura. Maria, sua mãe, saiu pela porta do estábulo e ergueu os olhos para o céu estrelado. Queria levar para o seu filho uma lembrança do céu. Saiu é procura de flores-estrelas, mas a terra estava gelada e ela não ás encontrou. Sempre procurando, Maria nem reparou como os anjos das nuvens estendiam sua pesadas asas diante do piscar das estrelas e como pequeninos flocos de neve voavam para a terra, um após outro enfeitando com penugens brancas o seu manto azul. Um floquinho suavemente murmurou um segredo em seu ouvido...
          Maria ajoelhou-se, pegou um pedaço de terra gelada, ofereceu-o ao céu, e então muitas e muitas estrelinhas luminosas de neve vieram pousar nele. Com todo o cuidado, Maria levou ao estábulo a lembrança das estrelas.
          Encobrindo a dádiva com o manto encaminhou-se para a manjedoura. Quando chegou lá, o menino Jesus acordou e sorriu para sua mãe. Ela então entreabriu o manto para que a criancinha pudesse ver seu presente; mas quando o brilho mágico de seus olhos iluminou o interior do manto, um milagre aconteceu! Na mão quente da Mãe terra degelava, e delicadas raízes penetravam nela. E onde o raio dourado dos olhos do Menino Jesus refulgiu formaram-se caule e folhas de um verde claro, emanados por uma flor branca, tão branca como a neve. A medida que a criançinha, com um sorriso feliz, admirava a rosa-estrela-de-neve, o brilho de seus olhos se condensou em raios dourados dentro do cálice da flor! A Rosa-de-Natal nascera!
          Desde aquele tempo, Deus a faz florescer todos os anos na época de Natal.

domingo, 17 de novembro de 2013

O segredo da pedra grande - 1ª semana do Advento

O segredo da pedra grande - 1ª semana do Advento
 
Um dia, a caminho de Belém, Maria e José chegaram diante de uma grande pedra. Esta ficava bem no meio da estrada e obrigava os viajantes a passarem pela direita ou pela esquerda através do mato, ou a passarem por cima dela.
Porém, havia algo especial nessa pedra. Antes, quando a estrada estava sendo construída, sete homens fortes tiveram que usar a sua força a fim de rolá-la para o lado. Mas quando, no dia seguinte, voltaram ao trabalho, a pedra estava exatamente no lugar antigo, como se sempre tivesse estado lá. Então os homens fortes reclamaram e vociferaram, cuspiram nas mãos e se empenharam outra vez em seu duro trabalho. Outra vez rolaram a grande pedra para fora do caminho e novamente a encontraram no dia seguinte naquele lugar, onde ela então repousava. Dessa vez, os homens reclamavam ainda mais. Mas depois, outra vez, puseram mãos á obra e tiraram a pedra do caminho, usando toda a sua força. Mas quando, no dia seguinte, encontraram a pedra novamente no lugar antigo, nenhum dos homens reclamou mais e se perguntavam o que aquilo significaria.
Não conseguindo obter resposta as suas perguntas, procuraram um homem santo, que vivia solitário em uma floresta, e lhe contaram sobre a pedra, que sempre voltava ao lugar antigo. O homem santo escutou-os com atenção, abanou a cabeça compreensivamente e lhes respondeu: - Aquele que deve tirar esta poderosa pedra do caminho ainda não apareceu. Deixem-na aí onde está, e permitam á pessoa destinada que a role deste lugar.
Os homens fortes seguiram seu caminho, e assim, a pedra enorme continuou imóvel no meio da estrada, para aflição de muitos viajantes.
Também Maria e José  pararam diante da pedra. Naturalmente, José não a podia rolar para o lado, nem com a ajuda do burrinho. Enquanto estavam parados, pensativos diante do obstáculo, José bateu, sem querer, seu bastão contra a pedra. Foi uma batidinha bem leve. Mas, no mesmo instante em que o bastão tocou na pedra, esta partiu no meio. As duas metades caíram para a direita e para a esquerda do caminho. E agora se podia ver que o seu interior estava cheio de cristais, que brilhavam maravilhosamente á luz do sol.
Um pouco mais tarde, chegou o homem santo aquela estrada. Quando viu a pedra partida, com os cristais faiscando em seu interior, seus olhos brilharam: - Aquele a quem estava destinado tirar a pedra do caminho já apareceu – disse ele consigo mesmo.
E seu coração se encheu de alegria e esperança.

http://www.festascristas.com.br/advento/advento-historias/452-o-segredo-da-pedra-grande-1o-semana-do-advento

O caminho cheio de pedras - 1ª semana do Advento

O caminho cheio de pedras - 1ª semana do Advento
 
Maria e José estavam em seu caminho para Belém, o burrinho trotava alegremente na sua frente.
José estava acostumado a caminhadas e tinha um bom bastão; com este ele podia dar largos passos. Maria, a querida Mãe Divina, se esforçava muito em acompanhá-lo, mas seus pés delicados sempre de novo batiam nas pedras escuras e afiadas do caminho.
Assim mesmo ela se continha com esforço, para não deixar perceber que sentia dores; mas ai uma lágrima saltou de seus olhos, essa ela não conseguiu conter. O burrinho obviamente não notou nada, e nem José, que estava atento em não errar o caminho.
Só o anjo que acompanhava os três em sua caminhada notou que Maria chorava.
Ele se abaixou até ela e lhe perguntou:
 - Querida serva do Senhor, porque chora? Você está em seu caminho à Belém, onde darás à luz à criança divina. Isto não te deixa feliz?
Maria respondeu:
 - Com muito prazer quero receber a criança divina, e também não quero me queixar, só as pedras escuras e pontiagudas batem e espetam os meus pés, e o meu caminhar se torna difícil.
Quando o anjo escutou isso, olhou para as pedras com o seu olhar claro e brilhante do céu. E olhe: Sob o seu olhar luminoso as pedras se transformavam. Elas afilavam os seus cantos e pontas  e absorviam um brilho de cores algumas até ficavam transparentes como vidro e brilhavam na luz que vinha do anjo.
Então Maria continuou o seu caminho em cima de uma estrada cintilante e brilhante de cores, e nenhuma dor mais dificultava a sua caminhada.

http://www.festascristas.com.br/advento/advento-historias/451-o-caminho-cheio-de-pedras-1o-semana-do-advento

O advento passo a passo!

O Advento passo a passo
 

1ª semana do Advento – Reino Mineral – 29/11/2009
Presépio: pano azul, Maria, Anjo, algumas estrelas,  e o caminho de velas (contar quantos dias exatos tem do primeiro domingo até o dia 24. Nem sempre darão 24 dias! Coloque a quantidade certa de dias – neste ano, 2009 = 25 velas + a vela do dia 24, que poderá ser uma vela mais especial, maior, dourada, etc) (procure que as crianças não vejam esta construção da estrutura do presépio. Faça na noite do sábado, após elas dormirem. De manhã do domingo, atribua ao anjo do Natal a aparição do Presépio)
Coroa de advento: velas de 4 cores - azul, vermelho, amarelo, verde
Calendário do Advento: com pedrinhas, estrelinhas, etc
• Atividade com as crianças:  Fazer estrelas de papel de seda, palha, etc.
• Coroa do Advento: acender a vela azul
• Presépio:  ascender a primeira vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
                contar uma história sobre o reino mineral       
                Maria caminha até a primeira vela do caminho
                Cantar músicas da primeira semana                               
• abrir o Calendário do Advento
• colocar pedrinhas no presépio
• apagar as vela  (com apagador)

Os outros dias poderão repetir exatamente a mesma sequência (incluindo repetir a mesma história), ou ter uma celebração mais simples, apenas acendendo as velas do caminho enquanto canta “Advento... advento.. uma luz reluz....” abra o calendário do advento. Apague as velas.
Todos os elementos do Reino Mineral são bem vindos nesta semana: água, conchas, troncos de madeira, etc
(Não se esqueça que a Maria caminha todos os dias, mesmo que a celebração não seja feita todos juntos. Você poderá mover a Maria durante a celebração, com as crianças, ou a noite, sem que elas vejam )
 

2ª semana do Advento - Reino Vegetal - 06/12/2009
O Presépio amanhece com algumas plantas, musgos e mais estrelas.
• Atividade com as crianças:  plantar alguma flor (talvez rosinhas) ou fazer pão, biscoitos
• Coroa do Advento: acender a vela azul e a verde
• Presépio:  ascender até a oitava vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
                 contar uma história sobre o reino vegetal (sobre Rosas são bem adequadas)      
                 Maria caminha
                 Cantar músicas da primeira e segunda semana                               
• abrir o Calendário do Advento
• colocar plantas, flores no presépio
• apagar as vela  (com apagador)
Nos outros dias, pode-se regar as plantas que foram plantadas, colher flores pelos caminhos para enfeitar o presépio.


3ª semana do Advento - Reino Animal - 13/12/2009
Presépio recebe: o estábulo, o boi , burrinho ao lado de Maria, mais estrelas
• Atividade com as crianças:  fazer borboletas de lãzinha, ou bichinhos de cera
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a  verde  e a vermelha
• Presépio:  ascender até a décima quinta vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
                contar uma história sobre o reino animal (sobre o burrinho, é bem adequada)
                Maria caminha
                Cantar músicas da primeira, segunda e terceira semana                               
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as vela  (com apagador)
Nos outros dias, colocar mais animaizinhos, ou insetos no presépio.


4ª semana do Advento - Reino Humano - 20/12/2009
Presépio recebe: José ao lado de Maria, Pastores dormindo com as ovelhas, próximos ao estábulo, mais estrelas
• Atividade com as crianças:  fazer vela, biscoitos confeitados
• Coroa do Advento: acender a vela azul, a verde, a vermelha e a amarela
• Presépio:  ascender até a vigésima segunda vela do caminho (cantar enquanto acende a vela)
                 contar uma história sobre o reino humano
                 Maria caminha
                 Cantar músicas da primeira, segunda, terceira e quarta semana                               
• abrir o Calendário do Advento
• apagar as vela  (com apagador)

Noite de Natal - 24/12
Chega a Árvore de Natal (pois também é dia de Adão e Eva) que as crianças podem ajudar a enfeitar. Além dos enfeites normais pode ter rosas, maçãs e símbolos dos planetas.

• acender as velas do caminho
• Maria anda mais e chega ao estábulo
• contar história do nascimento de Jesus
• cantar as músicas da Noite de Natal (Noite Feliz, Tocam os sinos...etc)
• colocar o menino Jesus
• cantar “Vinde pastores, alegres ver Jesus....” enquanto acorda os Pastores. Aproximá-los do estábulo, com suas ovelhas
• abrir o Calendário do Advento
• se houver troca de presentes pode ser feita agora
• as velas podem ficar acesas

Dia 25
• os pastores amanhecem se retirando do estábulo
• os Reis surgem em algum lugar distante na casa (canto da escada, sala, etc)
• contar histórias do nascimento de Jesus e suas visitas
- isso deve perdurar durante as 12 Noites Santas até dia de Reis. Podemos contar histórias dos reis a partir de 01/1.

Dia 06/01 – Dia de Reis
• Maria amanhece com o menino no colo, com uma coroa, algumas estrelas no manto. O estábulo pode ganhar uma cobertura de algum pano dourado.
• Os Reis chegam até o menino
• Contar uma história sobre os Reis


Dia 07/01
A pergunta é: como tudo desaparece no dia seguinte? Tira-se tudo ou há outra solução?
Uma vez perguntado isso para a Luiza Lameirão (Pedagoga, professora de Jardim de Infância Waldorf e responsável pela formação de Professores Waldorf no Brasil) ela disse que sim: no dia 07 de janeiro o presépio desaparece completamente, sem deixar vestígios.

http://www.festascristas.com.br/advento/advento-celebrando-com-criancas/468-o-adveto-passo-a-passo

‘Na Pedagogia Waldorf o ritmo conduz a vida do ser humano’. Confira entrevista com Kátia Galdi!

‘Na Pedagogia Waldorf o ritmo conduz a vida do ser humano’. Confira entrevista com Kátia Galdi!
Por Maria Júlia Sette
(mjuliasette@hotmail.com)

Brincadeiras de roda, desenhos, aulas, leituras, pausas e canções foram elementos que marcaram a rotina de quem participou do Curso Recife de Fundamentação em Pedagogia Waldorf, no início de outubro, no bairro do Rosarinho. Oito dias de imersão. Os corpos saltitavam, as bocas, das mais diversas idades, cantavam canções do imaginário infantil e os ouvidos atentos ao contexto histórico em que nasceu esta pedagogia, que de acordo com a docente e coordenadora do citado curso, em Recife e no Brasil, Kátia Galdi, segue na contramão do que se estimula na sociedade contemporânea.
Idealizada pelo austríaco Rudolf Steiner, a Pedagogia Waldorf nasceu na Alemanha, em 1919, após a 1ª guerra mundial, e começou a ser aplicada no Brasil desde 1956. O desenvolvimento integral da criança e do jovem é um dos motes principais do ensino Waldorf. Como mãe, jornalista e colaboradora do Portal Flores no Ar, mas principalmente como ser humano, tive a oportunidade de cursar o primeiro módulo da formação. Numa pequena brecha, conversei com Kátia Galdi sobre alguns aspectos desta pedagogia. Confira na entrevista a seguir!

A Pedagogia Waldorf foi apontada pela UNESCO como sendo o modelo de pedagogia capaz de responder aos desafios educacionais de nosso tempo. Na sua visão, quais são os principais aspectos da pedagogia que justificam esse reconhecimento da Unesco?
O principal aspecto é que a pedagogia é evidentemente humana, tem um aspecto fundamentalmente humano. E pelo teor das relações sociais passar pelo conhecimento humano do Ser, ela se torna, então, uma pedagogia voltada para a paz. Por isso que a UNESCO reconheceu esse elemento tão grandioso e fortalecedor, num mundo onde se busca hoje, mais do que nunca, a necessidade de fazer a paz ser sentida pelos povos. 

Durante o curso, percebi que as atividades eram intercaladas entre momentos onde mexíamos o corpo e brincávamos, e outros mais quietos, concentrados. Essa forma ritmada de viver as atividades é um dos princípios da Pedagogia Waldorf?
Sim. Entendemos na Pedagogia Waldorf que o ritmo conduz a vida do ser humano como um reflexo do que acontece na natureza. E a natureza segue uma ordem rítmica que também corresponde a uma ordem cósmica. O ser humano, como criatura que é, corresponde a uma ordem rítmica naturalmente. Precisamos cultivar e sustentar este ritmo, pois temos a capacidade de pensar, temos o livre arbítrio.

Quando existe um componente de compreensão que faz com que as atividades do dia a dia se tornem uma repetição daquilo que vive no organismo, o ritmo se torna absolutamente vitalizante para a criança e para todo ser humano. Não de forma mecânica, inconsciente, mas com a consciência de que o ponto central e vital do ser humano basicamente corresponde ao sistema cardiorrespiratório. Quando encontramos um eixo para respirar melhor, conseguimos desenvolver nosso organismo e evidentemente a nossa consciência. E na vida da criança quando isso se repete faz com que o seu organismo combine com o que está acontecendo lá fora, isso é uma maneira de tornar a vida mais saudável.

E de que forma esse ritmo é vivenciado nas escolas Waldorf?
Por exemplo, no inicio da manhã há um bom dia, que difere o formato do jardim para o grau (ensino fundamental), mas que, em ambos, pode haver música, canto e versos que são lidos. Na criança pequena, há o desenho, momento para fazer o pão, a aquarela, contato com brinquedos feitos com elementos naturais. As atividades compõem um ritmo, entre um pulsar, momento que contrai e que se expande. Então nas diferentes fases da criança, as aulas de matéria, de desenho, o brincar livre, as músicas, as histórias contadas, acontecem de forma rítmica. Há momentos que o pensar, o sentir e o fazer estão mais contraídos, depois mais expandidos nas atividades vivenciadas. Então há contração e há expansão de maneira muito consequente.

Como a teoria dos setênios, que divide a vida humana em ciclos de sete anos, é abordada na Pedagogia Waldorf?
A Pedagogia Waldorf compreende que é preciso olhar os fenômenos que vivem no ser humano no geral. Mas percebe que a cada sete anos há um fenômeno significativo de mudança. Os primeiros sete anos, a mudança para o segundo setênio (7 a 14 anos), para o terceiro (14 a 21 anos) e assim por diante.

No primeiro setênio, no jardim da infância, por meio do trabalho que o professor realiza, deve-se possibilitar o despertar contínuo da imitação. Imitação a mais saudável possível, imitar gestos, imitar falas com pleno sentido do que se deve viver no mundo. No segundo setênio, a autoridade do professor deve proporcionar o despertar de uma veneração pelo mundo natural. Isso acontece quando a criança percebe a relação entre ela e a natureza. A presença da natureza na sala de aula não se faz meramente por que o elemento natural está lá. Mas também pela linguagem que professor vai usar, baseada em um repertório que espelha a relação desse professor com o mundo sensorial, com o mundo da natureza. Na medida em que essa autoridade manifesta pelo professor condiz com a verdade que existe dentro, ou seja, que há uma coerência entre o que existe dentro e fora do professor, isso se faz muito presente na sala de aula, não só porque ele vive essa relação com a natureza, mas porque ele leva isso para as crianças. Então a autoridade dele despertará essa veneração pelo mundo natural.

O terceiro setênio desperta no jovem uma tarefa a ser realizada lá fora. Quando o jovem olha para uma sociedade que sofre desajustes e vê não só a verdade de que há problemas, mas sente a verdade que está nele, que ele se edificou como ser humano, então o jovem entende que tem uma tarefa muito grande em colaborar com o ajuste desse mundo. Ele vai colaborar e não salvar o mundo sozinho. Essa é atarefa social do jovem no terceiro setênio. O despertar da responsabilidade leva a um trabalho social.

A escola Waldorf do Recife, que completou recentemente 14 anos, divulgou um selo com a seguinte mensagem. “Dois setênios fazendo uma escola à mão”. Quais os principais desafios de valorizar trabalhos manuais, em uma era onde a tecnologia espalha-se por todos os cantos?
O maior desafio é que o professor tenha a certeza de que ele pode fazer também. Importa o quanto ele, como professor de uma escola Waldorf, independente de suas habilidades, tenha a compreensão de que uma atividade manual ajuda a criança e o jovem a se edificar.

Se a tecnologia vem massacrar todos esses movimentos naturais e primordiais do ser humano, o trabalho manual vem reconstruir, historicamente falando. A Pedagogia Waldorf desenvolve trabalhos manuais porque acredita que os trabalhos feitos com as mãos levam para fora o impulso do coração.Então quando a criança vai fazer ponto cruz, tricô, marcenaria, aquarela e todas as atividades de cunho artístico, feitas à mão, ela deve sentir o prazer e a alegria de colocar pra fora dela o que tem de mais bonito no formato do trabalho realizado.
O desafio é que o professor possa, como escola, garantir que independente das diferenças entre as famílias, se a tecnologia faz parte da realidade da família, ou não, que isso fique de fora da escola e as famílias venham colaborar de forma espontânea, em trabalhos de bazar, por exemplo. O desafio é grande, justamente por estar indo contra a correnteza da sociedade contemporânea que valoriza demais a tecnologia.

Você poderia comentar a expressão “A pedagogia cura e a medicina educa”:
O professor Waldorf é alguém potencialmente interessado no mundo imaginativo, desperta nele um amor profundo pelas crianças e pela natureza. Por isso ele acompanha os anos na escola, aqui no Recife, até o quinto ano (ensino fundamental), e no jardim onde se fica um período longo com o mesmo professor. Isso possibilita que o professor desenvolva uma observação que a gente pode chamar de fenomenológica do que vive, do que está vivendo naquela criança, do que ela trás e como ela se mostra hoje. Essa observação ele compartilha com os colegas. A partir disso entendemos que além do ritmo diário que a escola realiza e já é sanador por si, quando o professor percebe todos os desajustes que há na sociedade de hoje, do qual ele também faz parte, e se volta o trabalho de maneira muito consequente em sala de aula ele está ajudando a curar determinadas doenças sociais que a sociedade contemporânea criou e continua criando. Como ele faz isso? Através primeiro do que é básico, o próprio ritmo e do ensino que é divido em épocas na escola, no caso do grau. No caso do jardim da infância, não possibilitando que a criança seja alfabetizada antes de haver uma maturidade física e inclusive neurológica, isso já é uma maneira de atuar contrariamente ao que está aí na sociedade. O ritmo cura, é sanador, e quando os desajustes de fora aparecem no comportamento das crianças o professor realiza essa observação devagar e encontra medidas pedagógicas para poder atuar junto da criança para que ela devagar venha se transformar.

São atitudes pedagógicas das mais diversas, desde a observação individual que num trabalho de grupo você possa atender a demandas individuais e respeitar o ritmo mais lento de uma criança em relação à classe absolutamente rápida, entre outras.

No que diz respeito à medicina, o Rudolf Steiner quando citou isso, ele tinha muito claro que a atuação do médico não é uma atuação da qual ele mantém um contato com seu paciente com a mesma frequência e assiduidade que o professor. O médico orienta de forma educativa. Já o professor acompanha, desenvolve uma observação dia após dia. De forma que pode fazer com que se processe um caminho de cura junto da criança.