segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Um passo de cada vez...Construindo o alicerce.

Ontem, dia 21 de outubro de 2012, ocorreu a primeira reunião da Escola Waldorf Micael de São Roque.
Conseguir reunir pessoas desconhecidas em um domingo de manhã é difícil, ainda mais com todas as adversidades do dia: dia anterior chuvoso, mudança para o horário de verão, dificuldades do dia-a-dia, etc. E acredito ser ainda mais difícil quando o assunto é Educação.
Para a maioria das pessoas, Educação, é algo que sempre pode ser deixado para depois, porém, para esse grupo, não. Educação é algo que deve ser discutido a qualquer hora e em qualquer momento.
Nossa reunião contou com Professores, advogados, médicos, políticos, artesãos....pessoas, humanidade...
Discutimos rapidamente como surgiu a idéia, seus conceitos e sua organização.
Concluímos a reunião marcando uma nova data para o encontro: dia 28 de outubro de 2012.
Aos poucos construímos nosso alicerce que sustentará nossa estrutura.
Agradeço a todos pelo empenho, dedicação e paciência.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Despertar da Consciência da Criança de 0 a 7 anos


Podemos observar nitidamente três passos no despertar da consciência da criança de 0 a 7 anos de idade. Esse período se destaca como um desenvolvimento inconsciente, que não apela a um raciocínio intelectual para aprender as coisas da vida e é quando se aprende por imitação.
Do nascimento aos, aproximadamente, 2 anos e 4 meses ou 3 anos, a criança apresenta uma visível necessidade de movimentar-se constantemente. Os movimentos ainda são caóticos e desajeitados, não dirigidos por uma consciência racional. O aprendizado do andar e do falar, que ocorre inconscientemente, vai se encaminhando ao primeiro momento de uma auto percepção, não muito consciente, quando a criança começa a se auto denominar como "eu". (antes dessa consciência: "João quer comer"; passando a falar: "Eu quero comer"). É o momento em que a criança deve ter a oportunidade de desenvolver suas habilidades físicas e adquirir a consciência corporal. Ela irá aprender pela conquista natural de seus movimentos e a ação exemplar do adulto. Qualquer apelo por discusos será ineficiente e impróprio para o universo infantil nessa fase.

Dos 2 anos e meio até os 4 anos e oito meses ou 5 anos, depois de a criança ter chegado a se auto denominar como o "eu", ela vai acordando para a percepção do outro, do você. Com essa nova conscientização do mundo, ela irá se inserir no âmbito social. Antes a criança adaptou-se à vida no mundo físico, agora ela adapta-se ao mundo social, onde vive intensamente sentimentos alternados entre simpatias e antipatias. Ela deixa-se guiar pelas emoções e não por uma compreensão racional. Explicações e admoestações não levam a nada nessa idade. O educador irá apelar para a imitação, mas agora também pode apelar à imaginação. A criança se relaciona com o mundo como se tudo nele sentisse e percebesse as coisas como ela ( a cadeira, por exemplo, pode chorar quando cai). A criança vive numa consciência onírica, imaginativa.

Nessa fase continua a necessidade da criança ter a oportunidade de conquistar naturalmente a consciência corporal. Isso não quer dizer estimular e condicionar, mas oferecer o ambiente adequado e situações para que ela própria tenha a alegria de conquistar e adquira segurança do que aprendeu de fato. Nessa fase a criança pode perfeitamente responder a estímulos dos adultos, como a possibilidade de alfabetização precoce, mas isso, além de não interferir de forma a melhorar capacidade intelectual quando adulto, irá tirar a oportunidade de a criança desenvolver sua fantasia, despertar a alegria da conquista e aquisição da sua segurança diante do mundo, tão mais importantes para sua formação especificamente nesse tempo tão precioso da vida.

Dos 5 aos 7 anos podemos observar o surgimento de um novo comportamento. Até agora a criança aprendeu a lidar com o espaço e seus limites e então aprende a inserir-se no tempo. Ela consegue situar-se no ontem, hoje e amanhã, nos dias da semana, etc.; a criança também consegue captar a seqüência temporal dos acontecimentos. Suas brincadeiras seguem uma seqüência mais próxima da realidade, ela tem uma primeira noção de causa e efeito. A imaginação se cristaliza levemente em representações mentais das experiências vividas no mundo. Têm início os primeiros passos de um raciocínio, e só agora, em torno dos 6 anos completos, no sétimo ano de vida, é que podemos apelar a uma compreensão de idéias, de pensamentos sobre o mundo, que são colocados pelos adultos. Só agora é que a criança está pronta para ser alfabetizada sem prejudicar sua futura saúde.

Na Pedagogia Waldorf procuramos criar um ambiente adequado para a criança experimentar amplamente as possibilidades que seu processo de amadurecimento lhe proporciona. A criança deve usufruir com muita alegria a repetição de cada nova conquista no seu caminho de adaptação e conhecimento do mundo. E voltamos a frisar que a qualidade sempre tem mais valor que a quantidade.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nego submeter -me ao medo

"Nego submeter-me ao medo,
Que tira a alegria de minha liberdade,
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser directo e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que pinta sempre visões sombrias.
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
Eu quero viver, não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro,
E não porque encobri meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor,
E não por temer as consequências de minhas palavras.
Não quero acreditar em algo só por medo de acreditar.
Não quero filosofar por medo de que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me por medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros, pelo medo de que possam impor-me algo a mim.
Por medo de errar não quero tornar-me inactivo.
Não quero voltar para o velho, o inaceitável,


por medo de não me sentir seguro no novo.
Não quero fazer-me de importante por medo de ser ignorado.
Por convicção e amor quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que existe em mim."





Rudolf Steiner